
Só quem é distraído como eu, pode fazer alguma idéia do que sofro nesta vida. É cada saia-justa! Depois que passa acho engraçado, mas na hora... Agora imagine que você está andando pela rua e começa a se dar conta que está causando um engarrafamento sem fazer a menor idéia do porque disso. Veja...
Saí do trabalho no final da tarde de uma sexta-feira e fui fazer minha aula de natação. Estava um frio absurdo na rua. Cheguei ao local, fiz minha aula, fui ao vestiário, tomei banho, coloquei a roupa e saí do local, não sem antes desejar um bom fim-de-semana para a recepcionista. A Escola de Natação ficava numa avenida razoavelmente movimentada.
Saí do prédio e comecei a caminhar vagarosamente ao longo da avenida à procura de um táxi, já que estava sem o carro naquele dia.
Foi então que percebi que um homem passou me olhando. Pensei, não nego, que ele estava me achando bonita. Mais alguns passos um casal também me olhou. Um pouco mais adiante uma mulher. Depois, algumas crianças saindo da escola.
Então parei. Fiquei observando disfarçadamente, e cheguei à conclusão que todos os que passavam por mim me olhavam. Então ouvi uma buzina. Um homem no carro à minha frente, reduzira a velocidade e me olhava também. Eu estava parada bem próxima à rua, já que tentava conseguir um táxi. O trânsito começava a ficar lento, já que os carros que passavam por mim reduziam a velocidade para me olhar. As buzinas aumentaram, vindas de trás, dos motoristas que queriam ir para casa e não sabiam o que estava acontecendo. E nada de táxi.
Alguns minutos se passaram e o trânsito estava praticamente parado, já que todo mundo queria me olhar. Então comecei a pensar. Havia algo estranho acontecendo comigo. Rapidamente descartei a hipótese de estar agradando. Não eram apenas os homens que me olhavam, as mulheres e crianças também. Então não era isso.
Comecei a me olhar. Aparentemente as roupas estavam normais. Passei as mãos no rosto, tudo legal também. Foi então, que mais por um gesto de nervosismo do que por estar procurando alguma coisa, passei a mão no cabelo e quase tive um colapso: não encontrei o cabelo!
Minhas mãos tocaram num pano! Mas como esse pano foi parar aí? - me perguntei. Nesse momento, a força da verdade caiu sobre mim, esmagadora! Não era um pano! Era a toalha que estava enrolada na minha cabeça, feito um turbante! Tentei entender o que havia acontecido. Comecei a refazer meus passos anteriores. Saí da aula de natação, e fui direto tomar banho. Saí do banho e coloquei a roupa, nem me lembrei que tinha cabelo, que nestas alturas já estava com o turbante! Como estava vestindo uma blusa e um casacão de abotoar e nem me olhei no espelho, sabe-se lá porque, não pude perceber a minha distração. Se estivesse usando uma camiseta, teria que passá-la pela cabeça e com certeza teria notado.
E a recepcionista? Claro que ela viu. E não fez nada para evitar, a bandida! Segunda eu me entendo com ela, pensei. Mas imagino que eu devia estar linda, de salto alto, bolsa, toda elegante, com a toalha enrolada na cabeça que nem uma doida. Ela simplesmente não resistiu.
Voltei à minha triste realidade. Fiquei num dilema: o que é melhor: tirar a toalha da cabeça aqui mesmo ou voltar para a Escola? Então lembrei da recepcionista e achei melhor não dar esse prazer a ela. Resolvi sair de onde estava e entrei numa rua de menos movimento. Espiei para ver se não vinha ninguém e tirei a toalha da cabeça. Meu cabelo, que era comprido começou a pingar água na minha roupa. Sem falar, no frio que me gelou a cabeça.
Olhei em volta e não acreditei. Estava passando um táxi vazio. Alguma sorte a gente tem que ter nessa vida. Ela não pode ser feita só de tristezas. E sorte eu sempre tive, senão eu não teria sobrevivido todos esses anos, distraída desse jeito.
Entrei no táxi. O motorista me olhou esquisito, e dei o endereço o mais séria que consegui. Não estava com disposição para ouvir gracinhas.
Finalmente cheguei em casa. Me atirei no sofá, descansei um pouco e fui pegar o secador para terminar de secar o cabelo. Mais um dia daqueles. E você, conhece alguém assim tão distraído?
Saí do trabalho no final da tarde de uma sexta-feira e fui fazer minha aula de natação. Estava um frio absurdo na rua. Cheguei ao local, fiz minha aula, fui ao vestiário, tomei banho, coloquei a roupa e saí do local, não sem antes desejar um bom fim-de-semana para a recepcionista. A Escola de Natação ficava numa avenida razoavelmente movimentada.
Saí do prédio e comecei a caminhar vagarosamente ao longo da avenida à procura de um táxi, já que estava sem o carro naquele dia.
Foi então que percebi que um homem passou me olhando. Pensei, não nego, que ele estava me achando bonita. Mais alguns passos um casal também me olhou. Um pouco mais adiante uma mulher. Depois, algumas crianças saindo da escola.
Então parei. Fiquei observando disfarçadamente, e cheguei à conclusão que todos os que passavam por mim me olhavam. Então ouvi uma buzina. Um homem no carro à minha frente, reduzira a velocidade e me olhava também. Eu estava parada bem próxima à rua, já que tentava conseguir um táxi. O trânsito começava a ficar lento, já que os carros que passavam por mim reduziam a velocidade para me olhar. As buzinas aumentaram, vindas de trás, dos motoristas que queriam ir para casa e não sabiam o que estava acontecendo. E nada de táxi.
Alguns minutos se passaram e o trânsito estava praticamente parado, já que todo mundo queria me olhar. Então comecei a pensar. Havia algo estranho acontecendo comigo. Rapidamente descartei a hipótese de estar agradando. Não eram apenas os homens que me olhavam, as mulheres e crianças também. Então não era isso.
Comecei a me olhar. Aparentemente as roupas estavam normais. Passei as mãos no rosto, tudo legal também. Foi então, que mais por um gesto de nervosismo do que por estar procurando alguma coisa, passei a mão no cabelo e quase tive um colapso: não encontrei o cabelo!
Minhas mãos tocaram num pano! Mas como esse pano foi parar aí? - me perguntei. Nesse momento, a força da verdade caiu sobre mim, esmagadora! Não era um pano! Era a toalha que estava enrolada na minha cabeça, feito um turbante! Tentei entender o que havia acontecido. Comecei a refazer meus passos anteriores. Saí da aula de natação, e fui direto tomar banho. Saí do banho e coloquei a roupa, nem me lembrei que tinha cabelo, que nestas alturas já estava com o turbante! Como estava vestindo uma blusa e um casacão de abotoar e nem me olhei no espelho, sabe-se lá porque, não pude perceber a minha distração. Se estivesse usando uma camiseta, teria que passá-la pela cabeça e com certeza teria notado.
E a recepcionista? Claro que ela viu. E não fez nada para evitar, a bandida! Segunda eu me entendo com ela, pensei. Mas imagino que eu devia estar linda, de salto alto, bolsa, toda elegante, com a toalha enrolada na cabeça que nem uma doida. Ela simplesmente não resistiu.
Voltei à minha triste realidade. Fiquei num dilema: o que é melhor: tirar a toalha da cabeça aqui mesmo ou voltar para a Escola? Então lembrei da recepcionista e achei melhor não dar esse prazer a ela. Resolvi sair de onde estava e entrei numa rua de menos movimento. Espiei para ver se não vinha ninguém e tirei a toalha da cabeça. Meu cabelo, que era comprido começou a pingar água na minha roupa. Sem falar, no frio que me gelou a cabeça.
Olhei em volta e não acreditei. Estava passando um táxi vazio. Alguma sorte a gente tem que ter nessa vida. Ela não pode ser feita só de tristezas. E sorte eu sempre tive, senão eu não teria sobrevivido todos esses anos, distraída desse jeito.
Entrei no táxi. O motorista me olhou esquisito, e dei o endereço o mais séria que consegui. Não estava com disposição para ouvir gracinhas.
Finalmente cheguei em casa. Me atirei no sofá, descansei um pouco e fui pegar o secador para terminar de secar o cabelo. Mais um dia daqueles. E você, conhece alguém assim tão distraído?












